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Tri-Fronteira – Falência e desemprego são reflexos após um ano de fronteira fechada

Tri-Fronteira – Falência e desemprego são reflexos após um ano de fronteira fechada


Há pouco mais de um ano as fronteiras entre Brasil e Argentina eram fechadas por iniciativa do Governo Argentino. A medida foi tomada com o intuito de conter a contaminação pelo Coronavírus e um possível colapso na saúde, principalmente na Argentina.

Com o decreto de fechamento da fronteira, determinado pelo Governo Argentino que proíbe a entrada e saída do país, o turismo de compras caiu, fazendo com que muitas lojas, principalmente do lado brasileiro, fechassem as suas portas.

A equipe de reportagem do Jornal da Fronteira foi até as ruas para saber como os comerciantes estão após um ano com as fronteiras trancadas.

Jove Lima, comerciante a mais de 30 anos disse que tudo parou em um momento que os comércios já vinham sofrendo.

“Na rua não circula ninguém, somente os poucos que ainda sobrevivem e tentam trabalhar. A maioria das lojas fecharam, está tudo parado. Nós dependemos muito da Argentina, e se continuar assim mais lojas fecharão, a nossa rua vai acabar virando em nada”, destacou.

Jove ainda comentou que nasceu e se criou na tri-fronteira, e teme ter que deixar o município por falta de condições de trabalho.

“Eu tenho família, como eu vou ficar aqui comendo o arroz que ganhamos antes da pandemia, uma hora acaba. Não tem outra opção, teremos que abandonar Dionísio Cerqueira se continuar assim”, afirmou o comerciante.

Por muito tempo a Avenida República Argentina foi o principal trecho do Turismo de Compras entre Argentinos e Brasileiros, e hoje se encontra totalmente deserta, apenas com algumas lojas que ainda resistem a crise que a pandemia trouxe.

“Particularmente para quem tinha o comércio aqui nas proximidades da divisa entre Brasil e Argentina, as coisas só foram piorando. Hoje, a nossa perspectiva é muito baixa. Nós tínhamos esperança de que poderíamos ter a fronteira aberta novamente, mas, infelizmente, tudo foi descartado”, comentou Jean Valduga, comerciante que precisou fechar as portas de seu mercado.

Para Paulo Nardes, ele e todos seus colegas comerciantes dependem da abertura da aduana de turismo para que o fluxo retorne ao normal, não apenas na Avenida República Argentina, mas em todo o município.

“Se eles não abrirem a Aduana, muitas empresas ainda vão precisar fechar. A gente fica preocupado, pois muitas famílias hoje estão com dificuldades de levar o alimento para dentro de suas casas”, enfatizou Paulo.

A situação difícil não está apenas no lado brasileiro.

Em conversa via WhatsApp com um comerciante em Bernardo de Irigoyen que pediu para não divulgar seu nome, relatou que 90% de sua renda e de outros comerciantes vinha dos turistas brasileiros, e eles aguardam ansiosos a reabertura das fronteiras.

Em 2020 um grupo de comerciantes realizou uma manifestação pacífica visando a reabertura da fronteira, a manifestação contou com mais de 100 pessoas no Lago Intermunicipal de Fronteira, infelizmente de nada serviu, e as fronteiras continuaram fechadas.

Raquel Schwab, presidente da Associação Empresarial de Barracão, Dionísio Cerqueira e Bom Jesus do Sul – Ascoagrin, enfatizou que o sentimento é de extrema tristeza. Destacou que a decisão pela abertura das fronteiras não depende dos prefeitos e sim do Governo Argentino.

“Infelizmente, chegamos a um ano com a nossa fronteira fechada. Isso é realmente algo que nos entristece. Nós vemos que hoje existe um problema muito grande não apenas com o comércio, mas também entre familiares, pois muitos brasileiros vivem na Argentina e argentinos vivem no Brasil”, afirmou Raquel.

Ainda de acordo com Raquel, a Avenida República Argentina, que é um ícone para a tri-fronteira, se encontra praticamente deserta. O que atualmente mais chama a atenção no local que já foi palco de alegrias, é o olhar de incerteza dos comerciantes, e o sentimento de frustração.

“A fronteira fechada, lojas fechadas, muitos empresários tristes, desesperados com esta situação. Para piorar nós sabemos que o que ocorre é um decreto unilateral, infelizmente não depende de nós brasileiros e sim apenas do governo Argentino”, frisou Raquel.

Nos primeiros meses de 2020 quando as fronteiras foram fechadas, as administrações de Barracão, Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irigoyen, realizaram uma reunião nas dependências da Aduana de Cargas, que serviu de local neutro para a realização do encontro. Na oportunidade, prefeitos apresentaram um Plano de Segurança para o comércio fronteiriço, plano este que foi negligenciado e negado pelo Governo Argentino.

De tempos em tempos, os decretos do lado Argentino vêm sendo renovados, mantendo por tempo indeterminado as fronteiras fechadas, de modo que ainda não podemos afirmar quando teremos novamente o fluxo normal de brasileiros e argentinos na tri-fronteira.

Veja matéria completa e assista a reportagem em vídeo: https://www.jornaldafronteira.com.br/tri-fronteira-falencia-e-desemprego-sao-reflexos-apos-um-ano-de-fronteira-fechada/