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EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas deixam café e carnes de fora

EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas deixam café e carnes de fora

A gestão Lula classificou a construção da medida tarifária como um "enredo construído com a colaboração ativa da família Bolsonaro”.

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Os Estados Unidos oficializaram a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A medida é resultado de uma investigação de um ano conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que acusa o mercado brasileiro de adotar “práticas desleais” que prejudicam empresas e trabalhadores norte-americanos. 

 

A nova tarifa entrará em vigor no dia 22 de julho, mas conta com um pacote robusto de exceções. Itens cruciais da balança comercial brasileira — como café, carne bovina, peixe, laranjas e terras-raras — foram poupados do tarifaço.

 

O embate político - A decisão rapidamente inflamou a tensão diplomática entre os dois países, alimentada por declarações duras de ambos os lados.

 

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, usou as redes sociais para culpar diretamente o Palácio do Planalto pelo impasse comercial ."O presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima de um acordo (...), e essas tarifas são o preço a pagar por isso".

A resposta do Brasil - O governo brasileiro repudiou veementemente a sobretaxa e prometeu retaliação imediata por meio da Lei de Reciprocidade e de contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em nota oficial, o Planalto destacou o histórico de superávit comercial dos EUA com o Brasil (US$ 424,5 bilhões acumulados em 15 anos) para classificar a tarifa como injustificável.

O governo brasileiro também rebateu as críticas a políticas nacionais e o argumento político norte-americano.

Defesa do Pix e meio ambiente - O governo classificou como "absurdas" e "descabidas" as críticas dos EUA ao desmatamento e ao Pix, defendendo a ferramenta de pagamentos como patrimônio nacional e referência global.

Acusações de boicote interno - A gestão Lula classificou a construção da medida tarifária como um "enredo construído com a colaboração ativa da família Bolsonaro”.

Nos bastidores do governo federal, a leitura é de que a decisão norte-americana carece de fundamento técnico e é puramente política. Interlocutores do presidente Lula apontam para o forte engajamento da Casa Branca com a oposição brasileira.

A principal vidraça política do episódio é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou ativamente das audiências do USTR nos Estados Unidos.

Na ocasião, a maioria das empresas presentes se posicionou contra as tarifas. Flávio, contudo, adotou um tom político: argumentou que aplicar o tarifaço agora seria "o pior momento possível" devido ao calendário eleitoral no Brasil, alegando que a medida poderia, de forma reversa, beneficiar eleitoralmente o governo Lula.

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